A escrita de bénard, costurada em digressões permanentes, parêntesis e alvéolos, mostra, além disso, como a palavra é inseparável da memória. nos ambientes gregos inspirados, ela era tida por omnisciência de carácter divinatório, expressa no mantra: «o que é, o que será, o que foi». nos meios judaicos e cristíos, era interpretada pelo binómio profecia e cumprimento. a memória nío é apenas o suporte da palavra: é, sobretudo, a potência (poética, maiêuticaà) que confere ao verbo o seu estatuto de significaçío máxima. josé tolentino mendonça, no prefácio ao 1.º volume
